COLUNA | Imaginando um festival de música de grandes encontros
Por Jorge Rocha
Trabalhando como repórter e editor de Cultura por tantos anos, aprendi que misturas explosivas – e por vezes improváveis – são necessárias para colocar em outro patamar obras que precisam ser lembradas por uns e conhecidas por tantos outros. E abri um sorriso largo ao fim de 2025, quando soube que João Gomes e Nação Zumbi subiriam juntos em um palco para cantar Chico Science, o “caranguejo com cérebro” que enfiou uma parabólica na lama nos anos 90.
O encontro inesperado entre a música nordestina popular e contemporânea (piseiro/forró) e o legado do manguebeat reacendeu lembranças e esperanças este mangue(old)boy aqui. Eu ainda estava em Campos quando ouvi Chico Science pela primeira vez e tudo ali mexeu com minha cabeça irremediavelmente. Logo puxei o ídolo e amigo Luiz Ribeiro – na época, não era Luizz ainda – para buscarmos fazer algo nessa linha por aqui, misturando rock, blues e jongo, que era representativo na região. Gravamos algumas composições que se perderam no tempo, mas a ideia não fui adiante. Assunto para outra coluna, anotem aí.
Com tudo isso, fiquei pensando como seria reeditar essa parceria inesperada de João Gomes e Nação Zumbi, mas em versão cabrunca: talentos musicais de Campos homenageando artistas valorosos e que merecem ser revisitados à altura.
Prestem atenção no line-up. Cântarus e Leny Morais cantam Evaldo Braga, transformando as músicas dele em releituras acústicas e suingadas que atualizam o cancioneiro clássico para o presente. O vozeirão e carisma de Marcelo Benjá e a pegada pop/indie de Oh! I Kill dando outra roupagem à sempre necessária Avyadores do Brazyl, fazendo com que o repertório histórico soe ao mesmo tempo nostálgico e urgente para uma nova geração. Um trio para fazer o chão tremer: Nathalia Kurtz, Bruna Nabrup e Mariângela Honorato cantando Adelma Rodrigues, um espetáculo de ritmo, emoção e tradição.
Isso apenas na primeira noite. Na segunda, Palma contra Palma e Tubarão Martelo se juntam para criar versões samba-rock e regravações percussivas de músicas de Wilson Batista. Bonde Punk e Ardósia trazem Roberto Ribeiro para o meio do mosh. Reubes Pess e Bloco Bonita da Peste reinterpretam Luizz Ribeiro, combinando cadência, lirismo, rock’n’roll e batuque – desse encontro eu quero participar!
Tenho até um nome para esse festival: Lamparãopalooza. Aguardo patrocinadores.
