Jovem cineasta campista é selecionada para o 55º Festival de Cinema de Rotterdam
O curta-metragem “Trivakra”, dirigido por Sofia Angst, foi selecionado para a 55° edição do International Film Festival Rotterdam (IFFR), integrando a mostra de Curtas e Médias-Metragens – que conta com 120 curtas e médias do mundo inteiro. A estreia internacional será no dia 30 de janeiro, na sessão “Breaking The Frame”, dedicada a filmes que quebram com a gramática convencional das imagens cinematográficas.
Essa seleção marca a presença de uma jovem cineasta campista em um dos festivais mais
prestigiados do mundo, levando uma produção completamente independente que aborda de
maneira singular relações entre corpos e gêneros dissidentes com o usos de novas tecnologias.
Realizado dentro de seu quarto na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), foi gravado com uma webcam de baixa resolução e um microscópio digital. Sofia realizou a obra a partir de fragmentos de performance gravados com esses dispositivos não-convencionais de captura de imagem, manipulando-os em tempo real. Somado a isso, há o uso de materiais de arquivo de Sofia enquanto criança, gravadas pelo seu avô com uma câmera VHS.
Trivakra é uma figura mitológica do hinduísmo marcada por uma deformidade corporal e uma etimologia que se traduz para “aquela que é quebrada em três partes”. Convivendo com um corpo esqueleticamente desviante desde sua infância, Sofia teve desde cedo uma existência mediada por próteses coercitivas, dentre as quais destaca-se um colete ortopédico que é usado como objeto relacional das gravações da obra.
Apesar de estar estudando Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói atualmente, o filme foi realizado enquanto Sofia ainda estudava Psicologia na UFF de Campos dos Goytacazes. Entrelaçando bases filosóficas das teorias de gênero, de corpos com deficiência e ciberfeminismo, Sofia cria uma costura errática que parte do desvio enquanto matéria artística manifestada em três instâncias: no corpo, no gênero e na imagem. Induzindo glitches e falhas na estrutura imagética, visa quebrar o imperativo fechado da imagem digital, tocando-lhe em suas materialidades e inventando novas maneiras de tornar o invisível, visível.
Após a seleção da obra para o 9° Festival Ecrã, o curta despertou a atenção de Miquel Martí Freixas, curador do Festival de Rotterdam e, devido à originalidade estética e conceitual da obra, convidou-a diretamente para compor o programa do IFFR 2026. O filme conta com a produção da Excesso Filmes e distribuição da A Gota Preta Filmes.
Confira a página do filme no site do IFFR 2026 aqui.

