Museu Histórico recebe exposição Kitanda a partir desta quinta (4)
A exposição fica em cartaz até o dia 4 de outubro
O Museu Histórico de Campos abre as portas, a partir desta quinta (4), para a exposição Kitanda, que promete ser carregada de uma memória que resiste e da inventividade que pulsa na veia afro-brasileira.
Conduzida por Murilo Domeio e Huriah Oliveira, com trajetórias marcadas pela exploração das artes plástica, digital e urbana, a exposição se debruça sobre a pesquisa da cultura Bantu, realizada com a assessoria de acessibilidade pedagógica de Jéssica Oliveira, para a criação de novas narrativas artísticas.
A cosmologia Bantu
Os povos Bantu deixaram inúmeras marcas na formação cultural de Campos dos Goytacazes. Muito além da história oficial, suas memórias atravessam o samba, o jongo, o boi pintadinho, a capoeira, as religiosidades e até o modo campista de falar.
Na cosmopercepção Bantu, tudo está conectado: pessoas, corpos, ruas, natureza, ancestrais e divindades. Criar, celebrar e existir não se separam, são movimentos de uma mesma vida.
No centro dessa visão está a força vital: energia primordial que sustenta o universo e habita todos os seres vivos, humanos, animais, plantas, minerais e ancestrais. Invisível, mas presente em tudo, ela se intensifica nas relações, nos encontros e sobretudo, na palavra, que carrega poder de criar e transformar.
Assim como a kitanda, espaço de trocas e resistências, essa força vital nos lembra que nossa história é feita de redes vivas, pulsantes e coletivas.
Sobre Murilo Domeio
Artista plástico/digital que, a partir do curso de design gráfico, iniciou na ilustração/pintura digital em 2011. No mesmo ano teve sua primeira experiência com grafite, mas só em 2015, com o grupo “Lamparones Crew” em Campos dos Goytacazes, que pôde se desenvolver, participando de diversos mutirões ao longo dos anos na região e no estado.
Domeio foi um dos selecionados no edital da Prefeitura de Campos dos Goytacazes, para pintar 50m na beira rio da cidade, e para um projeto da Band Fm, que produziu diversos produtos a partir das artes dos grafiteiros locais (canecas, almofadas e camisas). Sua arte digital já foi publicada na Revista Zupi e Revista Usina e no Jornal “Folha da Manhã”.
Sobre Huriah
A trajetória do ilustrador e designer gráfico Huriah Oliveira foi impulsionada pela liberdade concedida por seus pais, que possibilitaram o início do seu comportamento criativo a partir dos rabiscos nas paredes e por aproveitar restos de madeira, da antiga marcenaria de frente a sua casa, para invenções.
Essa base foi ampliada pelos cursos gratuitos de Rio das Ostras, que canalizaram sua criatividade infantil para o papel e a tela, e posteriormente pelo bacharelado em Geografia na UFF, que construiu seu pensamento crítico e o levou à descoberta da produção visual como uma necessidade intrínseca de seu corpo. “Devo minhas produções à liberdade herdada dos meus pais; à visão de mundo adquirida na Geografia; e à rebeldia criada pela sociedade enferma.”
Serviço
A exposição fica em cartaz até o dia 4 de outubro.
Horários de visitação: terça a sexta, 10 às 12h – 14h às 17h, sábados e feriados, 9h às 14h. Das quartas as sextas há visita com mediação.
Entrada gratuita. Classificação livre.

