CULTURA & LAZER/TEATROS

NOTA CONJUNTA EM DEFESA DOS TEATROS PÚBLICOS DE CAMPOS

Os veículos de comunicação que assinam esta nota manifestam sua indignação diante do fechamento de dois dos mais importantes espaços públicos destinados à cultura em Campos dos Goytacazes: o Teatro Municipal Trianon e o Teatro de Bolso Procópio Ferreira.

É preciso dizer com clareza: dois teatros públicos fechados não podem ser tratados como uma ocorrência menor ou como um problema meramente administrativo.

Cada dia em que esses espaços permanecem sem funcionar representa apresentações canceladas, artistas sem palco, produtores prejudicados, projetos interrompidos e público privado do acesso à cultura. Representa também o enfraquecimento de uma cadeia econômica que movimenta profissionais de diversas áreas e que depende do funcionamento regular dos equipamentos culturais da cidade.

Cultura não é algo supérfluo. Cultura é necessidade fundamental.

Ela molda identidades, preserva memórias, estimula o pensamento crítico, fortalece vínculos comunitários e contribui para o desenvolvimento humano, social e econômico.

Por isso, o acesso à cultura não deve ser entendido como uma necessidade extraordinária, reservada a momentos em que todas as demais demandas estejam resolvidas. É uma necessidade ordinária. É parte da vida da cidade.

Teatros públicos existem para garantir que a população tenha acesso à produção cultural e para oferecer condições para que artistas e trabalhadores da cultura possam exercer seus ofícios. Quando esses equipamentos deixam de funcionar, não é apenas uma porta que se fecha: é uma política pública que deixa de cumprir sua função.

Também causa preocupação a ausência de informações objetivas sobre os prazos para a solução dos problemas. A população, os artistas e trabalhadores da cultura têm o direito de saber quando os teatros voltarão a funcionar e quais medidas estão sendo adotadas para garantir a continuidade das atividades culturais.

Não se trata de minimizar os problemas de infraestrutura, tampouco de ignorar a necessidade de segurança e manutenção dos equipamentos públicos. Trata-se de exigir que essas questões sejam enfrentadas com urgência, planejamento e respeito à cultura e aos profissionais que dela fazem parte.

Questionada sobre o Teatro de Bolso, a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima disse que “os cabos foram cortados na área da fachada voltada para a Avenida Quinze de Novembro, comprometendo o funcionamento dos aparelhos de ar-condicionado. A ocorrência foi registrada junto às autoridades policiais e, de acordo com o órgão, estão sendo adotadas providências para a recuperação do sistema.” Não foi informado, entretanto, um prazo para a retomada das atividades.

Sobre o Teatro Municipal Trianon, a Fundação respondeu que“o prédio está passando por adequações técnicas, ainda é cedo para dizermos quando será liberado.”

Campos tem artistas, produtores, técnicos, grupos, companhias e iniciativas culturais que mantêm a cidade viva. Eles precisam de políticas públicas que compreendam a cultura como investimento e não como despesa secundária.

Dois teatros públicos fechados, sem previsão clara de reabertura, não podem ser naturalizados.

É preciso garantir a recuperação dos equipamentos, a retomada das agendas e, sobretudo, o compromisso permanente do poder público com a cultura de Campos.

Cultura não pode esperar. Campos também não.